A construção civil no Brasil é inovadora?

Com a economia m baixa, as construtoras e empreiteiras precisaram buscar meios para reduzir os efeitos negativos no mercado, se reinventando com processos mais enxutos, precisos com menos falhas e desperdícios de tempo, material e dinheiro. De acordo com o estudo “Transformação Digital: O Futuro da Construção conectada” realizado pela IDC com empresas do mundo todo, mostra que a maior parte das empresas da construção civil têm como prioridade a inovação, mas ainda está em estágio inicial nesse processo, sendo que o Brasil é o país com o menor nível de maturidade comparado a outros países avaliados, O estudo mostra que o país está atrasado quando o assunto é adoção de tecnologias como Big Data, Inteligência Artificial e modelagem 3D.

Apesar desse cenário, o Brasil lidera o ranking quando o assunto é investimento em softwares baseados em BIM (Building Information Modeling). O BIM demorou para ser aceito e usado pelo mercado de construção brasileiro, mas hoje é adotado por 53% das empresas, devido ao aumento das parcerias entre empresas privadas e órgãos governamentais, que exigem o uso da ferramenta. (O Governo Federal publicou um decreto com diretrizes que orientam as empresas a implementarem o uso do BIM até 2021, se tornando uma grande tendência para os próximos anos.

Inovação na Construção Civil – quais são os 3 pilares principais?

Podemos definir a inovação como a concepção e implementação de mudanças significativas no produto, processo, marketing, modelo de negócios ou organização empresarial, a fim de otimizar resultados, visando reduzir custos, melhor experiência do cliente e o aumento de eficiência e produtividade, o que torna o setor mais competitivo e ágil para superar os desafios que surgirem. Consideramos a construção desse futuro inovador através de três vertentes : Sustentabilidade, Industrialização e digitalização.

Sustentabilidade

Mais de 40% das matérias-primas do planeta são usadas na construção civil e 30% da geração de resíduos é causado pelo setor, mostrando a urgência em desenvolver soluções que minimizem os impactos da construção civil do meio ambiente, sendo um conceito que estimula o mercado a adotar formas inovadoras de lidar com as empresas, empreendimentos, projetos, materiais, equipamentos e obras, trazendo resultado para os acionistas, colaboradores, meio ambiente, sociedade e gerações futuras.

Uma obra com previsibilidade e gestão eficiente possibilita a utilização otimizada dos recursos, com menos desperdício e menor custo. A partir disso, é possível dimensionar os desperdícios que a obra pode ter e buscar soluções para minimizá-los. Diversas soluções de sustentabilidade podem ser inseridas no projeto desde o início, contemplando até o canteiro de obras. Um exemplo é a gestão de recursos hídricos, com o melhor uso da água, por meio de sistemas que podem ser implementados desde o começo e serem mantidos no empreendimento para os usuários finais.

Industrialização da construção

A construção industrializada revoluciona os projetos e execução de obras, transformando o canteiro em linhas de montagem. Como sabemos, ainda predominam os sistemas construtivos convencionais de baixa produtividade, prazos longos e uso de mão de obra intensiva. a industrialização para transformar essa realidade de desperdícios, retrabalhos e falta de controles A industrialização deve começar no projeto. Com o uso do BIM é possível criar diversos modelos em 3D do projeto que será construído. O modelo é criado a partir das especificações que foram definidas no planejamento e orçamento, com uma base de dados do projeto que vai somando outras informações no decorrer da obra. A solução é usada, entre outras formas, como suporte para todas as fases do projeto e da execução.

Na execução da obra, uma das formas de tornar os processos industrializados é investindo em sistema modulares. Por meio de módulos pré-fabricados, a construtora consegue utilizar apenas o que for necessário na construção de determinada área do projeto evitando desperdícios e aumentando a produtividade da mão de obra. Os recursos pré-moldados são produzidos nas medidas e quantidades necessárias para a aplicação naquela obra, sendo entregues personalizados, tornando o processo mais ágil e otimizado.

Digitalização

Mesmo representando 10% do PIB global, a construção civil ainda aparece como o segundo pior em termos de adoção de tecnologias digitais. Segundo a Boston Consulting Group, a adoção de tecnologias já existentes fará o segmento economizar US$ 1,2 trilhão nas fases de projeto e US$ 500 bilhões na fase de operações, em custos anuais para projetos não residenciais. A transformação digital é determinada pela integração de tecnologias digitais em todas as áreas do negócio, mudando a forma de operar e entregar valor aos clientes, permitindo que todos os envolvidos no processo consigam ter acesso aos dados de forma atualizada e em tempo real, evitando falhas no processo, adaptar as etapas e uma tomada de decisão mais ágil e eficiente.

O Business Intelligence (BI) aplicado a construção civil entrega informações que vão proporcionar melhorias no gerenciamento, mapeamento, modelagem e automação dos processos, com isso é possível otimizar as tarefas, ter produtividade e reduzir os custos. O conceito exige que ferramentas tecnológicas sejam adotadas e inseridas no projeto para possibilitar a captura e a manutenção dos dados. Nesse sentido, a conectividade é fundamental para garantir que as informações vão transitar entre os sistemas. As informações podem ser capturadas em um sistema, mas serem utilizadas em outro recurso, por exemplo.

A ideia da integração e conectividade é, justamente, não limitar a captura e o uso das informações em um único recurso, mas sim permitir que diferentes áreas do projeto acessem os dados e consigam utilizá-los na melhoria de seus processos. A inovação é um caminho sem volta, sendo uma premissa para melhoria tanto dos resultados financeiros, como sociais e ambientais.